domingo, 4 de dezembro de 2011
#36
Quem sabe fechando os olhos eu possa ir de vez para a vida que eu vou ter longe daqui. Naquela cidadezinha da rua de bloquetes sextavados... Aquela que tem mil olhos disfarçados de janelas, que nem piscam só pra ver a tal rua passar, e as pessoas passando nela. Quem sabe eu até consiga sentir o vento que carrega consigo um cheiro meio úmido de chuva e café quente. E veja os musgos e as trepadeiras subindo nos muros, como quem abraça algo pra nunca deixar ir embora. E a igrejinha por onde o Sol vai se esconder, se perpetuando por um tempo a mais, através dos raios refletidos no sino. Talvez eu consiga ouvir as conversas monótonas dos senhores na porta de casa, rangindo suas cadeiras de balanço. E das senhoras cozendo algo pra esquentar alguém do frio. E talvez até veja a ávore meio torta no meio da única praça, espalhando suas folhas como confetes, onde eu vou me encostar até o cansaço me fazer adormecer. É, quem sabe fechando os olhos eu possa... mas só até voltar a abrí-los.
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