quarta-feira, 28 de setembro de 2011

#27

E cada gotinha de chuva tamborilava um tom diferente naquela latinha caída no quintal. Cada pedaço de sol que entrava na varanda virava uma cor refletida na parede ao passar pelo prisma que a vó tinha pendurado perto da janela. Um arco-íris corria pelo céu enquanto alguma viúva de certo casava com algum espanhol. O cheiro vindo da cozinha se enroscava no nariz da gente, feito o gato da vizinha se enroscando nas nossas pernas. E a rede balançava... Que nem um barco balança no mar. Eu deitada, quase que dormindo, ficava só esperando. Esperando a rede aportar em algum cais.

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